Desenvolvimento de Aplicativos Mobile: O Que Decide o Projeto

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Aplicativo que dá certo raramente é o mais bem programado — é o que resolve uma
coisa só, bem, e continua funcionando depois do lançamento.
Este texto reúne o que
separa projeto que entra no ar de projeto que morre em desenvolvimento, do ponto de vista de
quem contrata.

Uma plataforma ou as duas

A primeira decisão, e a que mais mexe no orçamento. Hoje ela importa menos do que há
alguns anos, mas continua sendo escolha:

Caminho Quando faz sentido Efeito no custo
Multiplataforma A grande maioria dos casos: uma base de código gera Android e iOS Próximo ao de uma plataforma só
Nativo Uso intenso de câmera, sensor, mapa em tempo real ou desempenho gráfico Perto do dobro
Só Android Uso interno, com aparelhos que a empresa fornece Menor de todos

Para aplicativo de uso interno — equipe de campo, chão de fábrica, força de vendas —
Android costuma ser a escolha óbvia: o parque de aparelhos robustos é maior e a reposição é
mais barata. Se o destino for a fábrica, vale ver o guia de
aplicativo para indústria, em que funcionar sem internet muda o
projeto inteiro.

O que decide se o aplicativo será usado

  • Abre rápido. Acima de alguns segundos até a primeira tela útil, parte
    das pessoas desiste — e no uso interno, volta para o papel.
  • Funciona com conexão ruim. Não é caso extremo: elevador, subsolo,
    estrada e galpão são o dia a dia de muita gente.
  • Poucos toques por tarefa. Menu profundo é o que faz o usuário
    abandonar.
  • Não pede login toda hora. Sessão que expira sem motivo é a reclamação
    número um.
  • Consome pouca bateria. Aplicativo que esquenta o aparelho é
    desinstalado, por melhor que seja.

Note que nenhum desses pontos é sobre visual. Aplicativo bonito e lento perde para
aplicativo simples e rápido, sem exceção.

O que testar antes de aceitar a entrega

Você não precisa saber programar para reprovar uma entrega ruim. Cinco testes que
qualquer pessoa faz em vinte minutos:

  1. Ligue o modo avião no meio de uma tarefa. O aplicativo deve avisar com
    clareza, e não perder o que já foi preenchido.
  2. Gire o aparelho. Tela que perde o conteúdo ao girar é sinal de
    descuido básico.
  3. Use com uma mão só. Se o botão principal fica fora do alcance do
    polegar, o desenho não considerou o uso real.
  4. Deixe aberto dez minutos. Aparelho esquentando indica consumo indevido
    de bateria.
  5. Volte depois de um dia. Se pedir login de novo sem motivo, a sessão
    está mal resolvida.

Esses cinco pegam a maior parte dos problemas que geram desinstalação — e todos são
baratos de corrigir antes do lançamento, caros depois.

Segurança: o mínimo que precisa estar no contrato

  • Comunicação criptografada entre o aplicativo e o servidor.
  • Nada de dado sensível guardado no aparelho sem proteção — celular se
    perde e se empresta.
  • Nenhuma chave ou senha embutida no código. Aplicativo publicado pode
    ser inspecionado por qualquer pessoa.
  • Permissões mínimas. Pedir acesso a contatos e localização sem
    necessidade derruba a instalação e chama atenção da loja.
  • Registro de acesso no servidor, para saber quem viu o quê.

Se o aplicativo trata dado de cliente, some a isso os requisitos da lei — vale ver
o que a LGPD exige do sistema, porque exclusão de conta e exportação
de dados precisam existir como funcionalidade, não como promessa.

Depois de publicar é que começa o custo

É a parte que quase nunca entra no orçamento inicial e a que mais gera atrito depois:

Item Por que é obrigatório
Atualização anual Android e iOS mudam todo ano; aplicativo parado deixa de funcionar sozinho
Exigências novas das lojas Política de privacidade, declaração de dados, versão mínima do sistema
Servidor e serviços Notificação, armazenamento, envio de mensagem — custam por uso
Correção de falha Erro em produção aparece em aparelho que ninguém tinha para testar
Contas de desenvolvedor Custo anual na Apple, taxa única no Google

Reserve de 10% a 20% do valor do projeto por ano para isso. Aplicativo
não é entrega única: é um compromisso que se renova.

Quem vai usar muda tudo no projeto

Dois aplicativos com a mesma descrição podem ser projetos completamente diferentes,
dependendo de quem abre:

App para cliente final App para equipe interna
O que decide o sucesso Instalar e voltar Ser mais rápido que o papel
Interface Precisa ser óbvia para quem nunca viu Pode ser densa: o usuário usa todo dia
Distribuição Lojas, com revisão a cada versão Pode ser interna, sem loja
Aparelho Qualquer um, inclusive antigo Padronizado pela empresa
Maior risco Ninguém instalar A equipe voltar ao processo antigo

Confundir os dois é o erro de escopo mais caro: aplicativo interno feito com preocupação
de vitrine gasta em design que ninguém nota, e aplicativo de cliente feito com cara de
sistema interno não passa da primeira tela.

Como acompanhar o desenvolvimento sem ser técnico

  1. Peça entrega a cada duas ou três semanas, e que seja aplicativo
    instalável, não relatório de progresso.
  2. Teste no seu aparelho real, não só no vídeo da demonstração.
  3. Teste em aparelho ruim e com internet ruim. É onde os problemas
    aparecem.
  4. Exija o código-fonte por escrito e as contas das lojas em nome da sua
    empresa.
  5. Peça a lista do que ficou de fora desta versão, por escrito, para não
    virar discussão no fim.

Quanto tempo o aplicativo dura

É a pergunta que ninguém faz e que define o custo total. Um aplicativo bem feito serve
por anos, mas não sem manutenção: as duas plataformas lançam versão nova todo ano e passam
a exigir adequação para continuar aceitando atualizações.

Na prática, um aplicativo abandonado costuma seguir funcionando por um tempo e então
começa a apresentar problema em aparelho novo, até parar de ser aceito pela loja. Não é
falha do desenvolvedor — é o ciclo normal da plataforma.

Por isso vale decidir no início se o aplicativo é um investimento contínuo ou um
experimento com prazo. As duas respostas são legítimas; o que sai caro é achar que era a
primeira e orçar como se fosse a segunda.

Os erros que mais matam projeto de aplicativo

  • Querer tudo na primeira versão. Metade das funcionalidades pedidas
    antes de começar nunca é usada.
  • Não definir quem decide. Cada divergência entre áreas trava o projeto
    por semanas.
  • Esquecer o painel administrativo. Alguém vai precisar gerenciar
    conteúdo e usuários; sem painel, isso vira chamado.
  • Ignorar o prazo de revisão das lojas. Pode levar dias, e sempre fica
    de fora do cronograma otimista.
  • Achar que publicar é o fim. É onde começa o trabalho de fazer alguém
    instalar e voltar.

A Devuptime desenvolve aplicativos Android e iOS sob medida em
Guarulhos, São Paulo, desde 2008, com código-fonte sempre entregue ao cliente. As faixas de
investimento estão detalhadas em
quanto custa desenvolver um aplicativo.
Fale com a gente.

Perguntas frequentes

Preciso mesmo de um aplicativo? Um site que funcione bem no celular
resolve a maioria dos casos, por um quinto do custo. Aplicativo se justifica com
notificação, uso offline, acesso a sensor ou uso quase diário.

Quanto tempo leva? De 2 a 4 meses para uma primeira versão funcional,
dependendo de quantas telas e integrações entram.

Dá para publicar em uma loja só? Dá, e para uso interno costuma ser a
melhor decisão — inclusive dá para distribuir sem loja nenhuma, o que elimina a revisão.

E se eu precisar mudar depois de pronto? Aplicativo se atualiza como
qualquer software. O que muda é o ciclo: cada versão passa pela revisão da loja antes de
chegar ao usuário.